Uma equipe é como um relógio

2010 fevereiro 7
por Eduardo Longo

Esta semana tive a oportunidade de assistir a uma apresentação de Philippe Vandeput, Managing Director da UCB Pharma, uma empresa com operações em mais de 40 países. O tema central foi seus desafios à frente de uma reestruturação que exigiu a demissão de 60% dos colaboradores de uma unidade de negócio. Em um certo momento, ele fez uma analogia interessante: sua convicção é de podemos trocar “Patek Philippe” (uma marca de relógios de luxo) na frase abaixo por “equipe”:

You never actually own a Patek Philippe. You merely look after it for the next generation. (slogan promocional da empresa)

A mensagem é de que a equipe não “pertence” ao líder; o papel deste é cuidar dela e desenvolvê-la para que ela esteja pronta quando um novo desafio (ou líder) chegar. Assim, líderes que “usam” “suas” equipes para atingir objetivos pessoais estariam cometendo um erro seríssimo, e não merecem a posição que ocupam.

Agora vamos checar a realidade: quantos líderes você conhece que estão fazendo o que Philippe apontou? Quantos estão fazendo o oposto? Quais são os impactos, para as pessoas e para as empresas, desta situação? Em qual lado você está? O que você pode fazer a respeito?

Desafiando premissas

2010 janeiro 7
por Eduardo Longo

“Most human beings have an absolute and infinite capacity for taking things for granted”

Aldous Huxley

Não é novidade discutir o potencial que premissas que assumimos tem de provocar problemas. São muitas as situações: uma premissa equivocada que compromete a execução de um projeto; outra que, apesar de não ter um fundamento real, influencia decisões importantes; e há ainda as premissas que acabam tolhendo nossa criatividade, por limitar o número de alternativas que enxergamos.

Gostaria de propor um exercício relacionado exatamente com o último tipo de situação: abaixo você encontrará 9 pontos. Seu desafio é, utilizando apenas 4 retas, passar por cima de todos os pontos. Você tem que traçar estas retas numa única linha, como se não retirasse o lápis do papel para desenhá-las.

O que achou do exercício? Foi fácil identificar a premissa que precisava ser desafiada? Como você pode transferir este desafio para outras situações?

Experiências reais

2010 janeiro 4
por Eduardo Longo

No último post de 2009 falei sobre a importância de comemorarmos aquilo que conquistamos. Esta frase de Aldous Huxley me parece perfeita para o primeiro post de 2010:

Experience is not what happens to you. It is what you do with what happens to you.

Aldous Huxley

A segunda sentença expressa uma grande verdade sobre desenvolvimento pessoal e profissional, e podemos olhar esta verdade através de duas perspectivas diferentes.

Primeiro, ganhar experiência significa que você tem a habilidade de aprender com aquilo que você vivencia. Algumas pessoas estão tão presas a suas atuais crenças e modelos mentais que são simplesmente incapazes de obter algo proveitoso destas “experiências”. Elas podem passar por diversas situações muito interessantes, muito propícias ao desenvolvimento, mas sairão delas exatamente da mesma forma que entraram. Estas pessoas não ganharam experiência alguma, apenas desperdiçaram uma grande oportunidade.

Segundo, a forma como você reage ao que acontece é fundamental. Podemos ter uma reação passional diante de um imprevisto e reclamarmos por um bom espaço de tempo; ou então podemos buscar imediatamente uma solução e talvez avaliar como evitar que este tipo de imprevisto ocorra novamente. Podemos nos irritar quando algo não sai exatamente como planejado; ou podemos aproveitar o inesperado para descobrir algo novo. São muitos os exemplos, mas a forma como você reage irá determinar se você será capaz de aproveitar a experiência vivida ou estará mais preocupado com suas próprias emoções, expectativas e frustrações.

Estabeleça para 2010 a meta de prestar atenção à forma como reage às situações. Avalie se sua reação o ajuda a ganhar experiência ou apenas faz você gastar energia. O que você prefere?

Você comemora suas conquistas?

2009 dezembro 20

Muita gente aproveita esta época do ano para refletir sobre seus objetivos para o ano seguinte. Mas quantas param para pensar no que conquistaram no ano que passou? Podemos ir além: quantas dedicaram algum tempo para comemorar suas conquistas?

A grande maioria não faz parte do grupo de pessoas que comemoram suas conquistas, criando assim marcos que demonstram sua evolução, competência e potencial. A maioria simplesmente pula para a próxima tarefa, o próximo projeto ou simplesmente considera que apenas “cumpriu sua obrigação”. Comemorar nossas conquistas é importante, porque chamará nossa atenção para o sucesso que alcançamos, para o resultado positivo de nossas ações, para tudo aquilo que fizemos e não apenas para o que não deu certo, o que deixamos de fazer ou não teve um resultado tão bom. Ao comemorar nossas conquistas, renovamos nossa energia, equilibramos nossa percepção acerca do nosso trabalho e reforçamos uma perspectiva positiva para o que acontece conosco. Esta comemoração pode ser simples, mas seu efeito será tremendamente positivo para você e para sua equipe.

Aproveite o final do ano e estabeleça como objetivo comemorar aquilo que já alcançou e o que irá alcançar no próximo ano!

Criança, a alma do negócio

2009 dezembro 6
por Eduardo Longo

Hoje (06 de dezembro) se comemora o dia de São Nicolau aqui na Bélgica, uma data que normalmente passa despercebida no Brasil; e como ele é patrono das crianças, o costume é dar a elas doces ou chocolates. Mas há outro fato importante na sua história: como ele tinha a reputação de dar pequenos presentes em segredo (como colocar moedas em sapatos deixados do lado de fora das casas), acabou se tornando o modelo para o Papai Noel.

Como estamos perto do Natal, recomendo muito que assistam ao documentário Criança, a alma do negócio, produzido pelo Instituto Alana.

É chocante ver o efeito do verdadeiro “bombardeio” consumista a que as crianças são submetidas. O que devemos pensar quando elas são incapazes de dizer qual é o animal apresentado, mas identificam com facilidade marcas de celulares? Quando notamos o quão forte é esta influência, fica um pouco mais fácil entender porque tantas pessoas sentem tanta dificuldade em lidar de forma equilibrada com suas finanças. Elas simplesmente foram ensinadas, desde muito jovens, a não fazer isto.

E uma matéria na Time (Why Big Shopping Bargains Are Bad News For America) sobre a Black Friday, aquela sexta-feira em que todas as lojas provocam verdadeiros tumultos com reduções significativas de preços (logo após o Thanksgiving, um dos feriados mais importantes nos EUA…) traz uma visão muito lúcida sobre a questão. O autor sustenta que ele não quer pagar menos por coisas de que ele não precisa e que muitas vezes são produzidas desrespeitando padrões éticos; ao contrário, se as pessoas fossem forçadas a pagar mais, talvez conseguissem quebrar o modelo mental tão comum de que o caminho para a felicidade é possuir mais coisas.

E você, como tem se comportado em relação a isto? O que tem ensinado aos seus filhos, sobrinhos, netos…?

“Em diferentes momentos tive um coach me apoiando”

2009 novembro 28
por Eduardo Longo

Na semana retrasada assisti à apresentação de Andreas Utermann, Global Chief Investment Officer de uma das maiores empresas de asset management do mundo.

Quero destacar aqui dois pontos de sua apresentação: primeiro, que um dos seus maiores desafios à frente desta empresa foi transformar uma cultura que buscava apontar culpados para os problemas da empresa em uma cultura na qual as pessoas estão dispostas a cooperar para o bem da organização.

O segundo, a tranquilidade com que nos disse que havia contado com o apoio de coaches em diferentes momentos do processo de transformação que estava empreendendo na empresa. Achei oportuno trazer este caso para quebrar um tabu que às vezes identifico: o de que coaching é uma forma de “recuperar” profissionais problemáticos.

Para mim, a melhor forma de ver é exatamente o oposto: coaching é um excelente instrumento para que um profissional de sucesso construa o caminho para alcançar ainda mais sucesso. E quando ele faz isto em um momento “tranquilo”, em que não está sofrendo nenhuma pressão em especial, o contexto é ainda mais favorável, pois ele estará mais aberto a novas perspectivas, a experimentar novas ações, a mudar seu comportamento para alcançar um resultado superior.

Portanto, minha sugestão seria: pare por um instante e pense no que Utermann disse. No que um coach poderia ajudá-lo a alcançar ainda mais êxito em sua carreira?

Liderança se resume a três C’s

2009 novembro 23

Recomendo a leitura desta entrevista com William D. Green, chairman e CEO da Accenture (68 Rules? No, Just 3 Are Enough). Achei especialmente interessante o trecho em que ele fala de liderança:

So I said there are three things that matter. The first is competence — just being good at what you do, whatever it is, and focusing on the job you have, not on the job you think you want to have. The second one is confidence. People want to know what you think. So you have to have enough desirable self-confidence to articulate a point of view. The third thing is caring. Nothing today is about one individual. This is all about the team, and in the end, this is about giving a damn about your customers, your company, the people around you, and recognizing that the people around you are the ones who make you look good.

Competência, confiança e cuidado. Provavelmente seria difícil para alguém questionar a importância destes 3 elementos ao exercer um papel de liderança. Porém, pare por um instante para refletir sobre suas experiências, como líder e como liderado. Quantas vezes estes 3 elementos estiveram presentes? Quantas vezes pelo menos um estava ausente?

Desenvolver suas competências técnicas certamente não é o maior desafio aqui – desenvolver as competências comportamentais, relacionadas com os outros dois fatores, é que será o verdadeiro divisor de águas daqueles que se tornarão líderes efetivos e daqueles que apenas carregarão o título de líder.

E para você, como estão estes 3 C’s?

68 Rules? No, Just 3 Are Enough

Executivos de sucesso e coaching

2009 novembro 15

Esta semana tive uma longa (e ótima!) conversa com um dos Executive Partners de uma das principais empresas de consultoria do mundo. É muito interessante que esta empresa, entre seus serviços, tem uma equipe de profissionais com grande experiência cuja principal atividade é apoiar altos executivos (um dos executivos no C-level) a serem mais efetivos na sua função. Isto inclui discutir seus planos e objetivos para a empresa, mas também inclui em grande medida atuar como Coach e Mentor.

Pelas suas contas, cerca de um terço dos executivos que são foco da empresa efetivamente contratam este serviço. A princípio achei o percentual bastante alto, mas a explicação deste Executive Partner não podia ser mais simples e verdadeira:

Estes executivos tem uma trajetória de sucesso, e é muito difícil conseguir isto sem um bom nível de auto-conhecimento. Portanto, eles sabem exatamente o quanto é importante e o quanto se beneficiam com este trabalho.

O alarmante é que em muitas situações eu vejo exatamente o contrário: pessoas que tiveram até o momento uma trajetória de sucesso, são competentes e ambiciosas, mas que tem um nível muito baixo de auto-conhecimento. Para elas, soft skills são soft demais para ser importante, para merecer sua atenção. E elas continuam a acreditar nisto, até o momento em que sofrem um baque importante; pode ser uma demissão seguida por um período prolongado de desemprego (muito maior do que imaginavam!) ou quando são sistematicamente barradas para uma posição que desejam – e para a qual acreditam estar totalmente prontas. É como este Executive Partner colocou:

Ela vai pensar: eu quero sentar ali! Eu estou pronto(a)! E as pessoas responsáveis por esta decisão vão olhar para ela e pensar: Hummm, é melhor você continuar aí onde está.

Esta conversa é mais uma confirmação de duas lições extremamente importantes para quem quer ter sucesso:

  1. Invista em você mesmo, em seu desenvolvimento não só como profissional de uma certa área, mas também como pessoa
  2. Faça isto enquanto você está bem e tem sucesso. É muito menos confortável fazer isto quando você está com problemas ou precisa urgentemente corrigir algo

É lógico que não há uma única receita para fazer isto, mas diversos estudos mostram que coaching é uma das mais eficazes formas de atingir este objetivo. Não apenas porque o foco de um processo de coaching está no desenvolvimento do cliente, mas também porque seu Coach irá trabalhar com você para identificar o que irá trazer o maior impacto positivo para que você alcance suas metas.

Agora responda: o que tem feito pelo seu desenvolvimento? Em que estágio você imagina estar? Como pode alcançar um estágio mais alto?

“O ótimo é inimigo do bom.” Será mesmo?

2009 novembro 7
por Eduardo Longo

Honestamente, eu nunca gostei desta frase; por isto fiquei muito feliz quando vi que Jim Collins inverteu sua lógica logo na primeira sentença de Good to Great:

Good is the enemy of great.

Para mim a questão realmente importante é: por que nos contentamos com o suficientemente bom? A impressão que tenho é que a maioria das pessoas assume que o suficientemente bom é, bem, suficiente, e que qualquer coisa além disto simplesmente não vale o esforço. Porém, acredito que falta avaliar um componente essencial: quão importante é esta tarefa? O quanto o resultado final será influenciado por isto? Uma matéria muito interessante da Fortune (What it takes to be great) sustenta que um talento natural é irrelevante para uma grande performance; o que realmente faz a diferença é uma prática exigente, contínua e regular. Mas o artigo também traz um conceito fundamental.

Faça isto para as tarefas que são realmente críticas. Esta é a chave, na minha opinião. Não devemos nos contentar com o suficientemente bom naquilo que é crítico para o resultado que desejamos; para as demais atividades, ao contrário, esta abordagem é totalmente adequada. A questão então se torna: o que é realmente crítico para alcançar o que desejo? Infelizmente, é neste ponto que muita gente não faz seu “dever de casa”; quando definimos isto automaticamente definimos o que não é crítico, definimos prioridades, e muita gente (a maioria, talvez) simplesmente não se sente confortável fazendo isto. Definir prioridades é fazer escolhas, mas… e se as escolhas estiverem erradas? E se nos esquecemos de considerar algo? E se o cenário mudar?

Então, algumas pessoas consideram mais confortável não escolher. Isto implica fazer tudo suficientemente bem, apesar de não fazer realmente bem o que era realmente essencial.

Reflita por um instante na forma como tem tomado estas decisões; você está se comprometendo em fazer o melhor naquilo que é realmente importante ou está apenas fazendo o bom, em tudo o que tem para fazer? Qual é o resultado da sua abordagem? Qual será o resultado daqui a 5, 10, 20 anos?

A fórmula da liderança

2009 outubro 29
por Eduardo Longo

Enquanto lia Why should anyone be led by you? veio à minha mente uma forma bem-humorada de sintetizar a visão dos autores sobre liderança:

liderancaOs curiosos leitores deste blog devem ter se perguntado: “Onde está o líder nesta equação?”. De fato, esta é uma ótima pergunta.

O conceito de liderança parece ser bastante anglo-saxão. Se somarmos a isto as características individualistas e igualitárias dos países que tem esta cultura, temos o ambiente ideal para o que às vezes chamo “culto ao líder”. No fundo, me refiro à ideia de que um “líder”, extremamente carismático, competente e capaz de movimentar multidões, é fundamental para o sucesso de uma empresa.

Bem, digamos que esta perspectiva está caindo por terra. Goffee e Jones enfatizam que um líder autêntico está a serviço de um propósito – não é ele o centro, mas sim o propósito que ele serve. Segundo eles, liderança ainda está relacionada às pessoas que você lidera, o que fazer para liberar nelas toda a energia e potencial que estão dormentes. E onde está o espaço reservado para o líder? Seja onde for, não está sob os holofotes – ele está agindo de uma forma silenciosa mas decisiva, discreta mas profundamente transformadora, poderosa mas voltada para um propósito maior do que ele próprio. Obviamente, quando liderança e hierarquia se combinam, em grande parte do tempo o líder estará sob holofotes; porém, isto está associado à sua posição e não necessariamente ao seu papel como líder.

Que implicações esta perspectiva tem no atual mundo corporativo? Ora, virou um clichê para uma empresa dizer que “busca líderes” ou “investe na sua liderança”, da mesma forma que virou um clichê candidatos enfatizarem sua “capacidade de liderança”. Talvez seja a hora de começarmos a tratar o assunto com mais seriedade, reconhecendo que verdadeiros líderes tem uma tarefa duríssima à sua frente, que requer uma dedicação, desprendimento e serviço a uma causa muito além do que uma pessoa preocupada exclusivamente com poder, status e riqueza é capaz de oferecer.

Como você percebe a liderança na sua empresa? Como você enxerga o seu papel como líder? E como seguidor de um líder?