Honestamente, eu nunca gostei desta frase; por isto fiquei muito feliz quando vi que Jim Collins inverteu sua lógica logo na primeira sentença de Good to Great:
Good is the enemy of great.
Para mim a questão realmente importante é: por que nos contentamos com o suficientemente bom? A impressão que tenho é que a maioria das pessoas assume que o suficientemente bom é, bem, suficiente, e que qualquer coisa além disto simplesmente não vale o esforço. Porém, acredito que falta avaliar um componente essencial: quão importante é esta tarefa? O quanto o resultado final será influenciado por isto? Uma matéria muito interessante da Fortune (What it takes to be great) sustenta que um talento natural é irrelevante para uma grande performance; o que realmente faz a diferença é uma prática exigente, contínua e regular. Mas o artigo também traz um conceito fundamental.
Faça isto para as tarefas que são realmente críticas. Esta é a chave, na minha opinião. Não devemos nos contentar com o suficientemente bom naquilo que é crítico para o resultado que desejamos; para as demais atividades, ao contrário, esta abordagem é totalmente adequada. A questão então se torna: o que é realmente crítico para alcançar o que desejo? Infelizmente, é neste ponto que muita gente não faz seu “dever de casa”; quando definimos isto automaticamente definimos o que não é crítico, definimos prioridades, e muita gente (a maioria, talvez) simplesmente não se sente confortável fazendo isto. Definir prioridades é fazer escolhas, mas… e se as escolhas estiverem erradas? E se nos esquecemos de considerar algo? E se o cenário mudar?
Então, algumas pessoas consideram mais confortável não escolher. Isto implica fazer tudo suficientemente bem, apesar de não fazer realmente bem o que era realmente essencial.
Reflita por um instante na forma como tem tomado estas decisões; você está se comprometendo em fazer o melhor naquilo que é realmente importante ou está apenas fazendo o bom, em tudo o que tem para fazer? Qual é o resultado da sua abordagem? Qual será o resultado daqui a 5, 10, 20 anos?
Enquanto lia Why should anyone be led by you? veio à minha mente uma forma bem-humorada de sintetizar a visão dos autores sobre liderança:
Os curiosos leitores deste blog devem ter se perguntado: “Onde está o líder nesta equação?”. De fato, esta é uma ótima pergunta.
O conceito de liderança parece ser bastante anglo-saxão. Se somarmos a isto as características individualistas e igualitárias dos países que tem esta cultura, temos o ambiente ideal para o que às vezes chamo “culto ao líder”. No fundo, me refiro à ideia de que um “líder”, extremamente carismático, competente e capaz de movimentar multidões, é fundamental para o sucesso de uma empresa.
Bem, digamos que esta perspectiva está caindo por terra. Goffee e Jones enfatizam que um líder autêntico está a serviço de um propósito – não é ele o centro, mas sim o propósito que ele serve. Segundo eles, liderança ainda está relacionada às pessoas que você lidera, o que fazer para liberar nelas toda a energia e potencial que estão dormentes. E onde está o espaço reservado para o líder? Seja onde for, não está sob os holofotes – ele está agindo de uma forma silenciosa mas decisiva, discreta mas profundamente transformadora, poderosa mas voltada para um propósito maior do que ele próprio. Obviamente, quando liderança e hierarquia se combinam, em grande parte do tempo o líder estará sob holofotes; porém, isto está associado à sua posição e não necessariamente ao seu papel como líder.
Que implicações esta perspectiva tem no atual mundo corporativo? Ora, virou um clichê para uma empresa dizer que “busca líderes” ou “investe na sua liderança”, da mesma forma que virou um clichê candidatos enfatizarem sua “capacidade de liderança”. Talvez seja a hora de começarmos a tratar o assunto com mais seriedade, reconhecendo que verdadeiros líderes tem uma tarefa duríssima à sua frente, que requer uma dedicação, desprendimento e serviço a uma causa muito além do que uma pessoa preocupada exclusivamente com poder, status e riqueza é capaz de oferecer.
Como você percebe a liderança na sua empresa? Como você enxerga o seu papel como líder? E como seguidor de um líder?
Segundo a Volkswagem, a resposta é sim. A empresa criou uma competição, a The Fun Theory, que premiará as melhores ideias que buscam criar uma mudança de comportamento ao associá-la com algo divertido.
O que pode parecer apenas uma boa campanha de marketing na verdade tem um fundamento bastante sério. Discuti isto no post Mudar ou morrer, indicando que pesquisas mostram que é fundamental criar uma conexão com uma emoção positiva para garantir uma mudança de comportamento. O que impede que esta emoção positiva esteja relacionada a algo divertido?
Se isto parece muito abstrato, assista a este vídeo, divulgado no site da campanha:
Como você pode aproveitar esta ideia para melhorar algo em sua vida?
Se você não está familiarizado com os conceitos de Inteligência Emocional e Social (e o que eles significam para líderes), esta entrevista com Daniel Goleman, provavelmente o maior responsável por disseminá-los, é um ótimo ponto de partida (áudio em inglês).
Umas das mais simples e ao mesmo tempo mais poderosas sugestões que ele dá é: pergunte aos outros como seu comportamento os afeta. Apesar de simples, quantas pessoas realmente fazem isto? Porém, esta ação parece ser fundamental para o desenvolvimento de um autêntico líder.
Ele também traz uma mensagem muito positiva: nós podemos aprimorar nossa Inteligência Social se estivermos motivados, soubermos o que fazer e tivermos alguma ajuda. Ou seja, ninguém fará nada apenas porque ouviu que isto é importante, ou recebeu um conselho neste sentido. É fundamental que esta mudança seja uma prioridade, seja importante para que você alcance o que deseja. E um bom Coach irá trabalhar com você para alcançar este objetivo.
E você, com que frequência busca feedback? E com que frequência dá feedback? A forma como você dá feedback ajuda o outro a se desenvolver ou é apenas business as usual?
Ultimamente tenho pesquisado e trabalhado bastante com o conceito de liderança. Achei especialmente insightful uma colocação de Rob Goffee e Gareth Jones, autores de Why should anyone be led by you?:
First, organizations desire leaders but structure themselves in ways that kill leadership. (…) They encourage either conformists or role players with an impoverished sense of who they are and what they stand for. Neither makes for effective leaders. And of course, this gives rise to legions os disenchanted followers, producing the deepest organizational malaise of modern times: cynicism.
A afirmação pode ser dura, mas tenho certeza que muitos reconhecerão nela seu ambiente de trabalho.
Eu ainda acrescentaria à esta questão o mantra de que temos todos que nos tornar líderes; os mesmos Goffee e Jones deixam claro que isto simplesmente não é factível. A razão não está numa lista enorme de atributos que líderes supostamente teriam, mas sim no fato de que ser um líder verdadeiro exige muito esforço e dedicação, algo que mesmo algumas pessoas brilhantes e muito capacitadas simplesmente não estão dispostas a fazer.
Esta semana conversei com um dos responsáveis pelas ações de Talent Management de uma das maiores empresas de energia européias sobre como sua empresa está se preparando para uma “guerra de talentos” nos próximos anos. Em certa medida, elas são responsáveis por esta situação, se considerarmos a opinião de Goffee e Jones.
Ou seja, para as empresas é hora de avaliar de forma honesta o que suas políticas, decisões e cultura fazem por seus líderes atuais e potenciais. E para aqueles que realmente desejam se tornar autênticos líderes – e estão dispostos a pagar o preço desta decisão – os próximos anos poderão revelar uma demanda sem precedentes por esta habilidade.
E você, o que acha da liderança na sua empresa? Você está pronto para se tornar um líder? Se sim, o que tem feito para isto?
Em um projeto conjunto com a Folha de São Paulo, Abilio Diniz desenvolveu um site para falar de suas experiências e observações sobre negócios e sobre o que traz felicidade. Este trecho de uma entrevista para o jornal é especialmente interessante:
FOLHA – Mas se uma pessoa tem um grande problema financeiro ou está desempregada, como ela vai ter condições de mudar a vida?
DINIZ – Você não consegue deixar de evitar problemas na vida. Muitos podem dizer: “Ah! O Abílio fala essas coisas porque ele é rico, cheio da grana, tem um monte de coisas e pode falar o que quiser”. Escute, eu já fui sequestrado, num sequestro completamente maluco, onde eu tinha certeza que eu ia morrer, esta empresa [o Pão de Açúcar] já quase desapareceu nos anos 90 e eu comecei a minha vida sem dinheiro, sem nada. Fui para os Estados Unidos sem nada, para estudar. Eu só me tornei controlador desta empresa em 1994. Até lá, não era empregado, mas era um membro da família. Dificuldades? Já enfrentei muitas. Mas como é que uma pessoa pode ser feliz se não tem grana, está desempregada, tem um familiar doente ou perdeu uma pessoa querida? Essas coisas acontecem. O importante é você dizer: aconteça o que acontecer, eu sou um cara que se propõe a ser feliz. Esse é o meu norte. O resto entra pelos lados. As dificuldades que aparecem você tem que administrar.
Ou seja, um conceito importantíssimo, já discutido neste blog mais de uma vez, é reforçado por Abilio Diniz: você pode não escolher o que acontece com você, mas pode escolher como reagirá a estes eventos. É isto que definirá se você se manterá pró-ativo na resolução de uma situação / busca de seus objetivos ou se sucumbirá à percepção de que não pode fazer nada mesmo e o melhor a fazer é torcer para que tudo dê certo.
Pare por um minuto e reflita: qual tem sido seu padrão de comportamento? Como uma mudança na sua forma de pensar o ajudaria a atingir seus objetivos mais rapidamente?
Quando vejo algo tratando de educação financeira eu normalmente não gosto muito da abordagem… Diria que ela comumente entra em uma de 3 categorias:
- “É chato mas você tem que fazer!” Se esta é a mensagem que fica subentendida, por que alguém se preocuparia em estudar o assunto?
- “Aprendi isto na vida real, não na teoria.” Cada coisa tem seu lugar, e uma não substitui a outra. Acredito que muito da desconfiança que as pessoas tem em relação à “teoria” está na dificuldade que elas (ou as pessoas que as ensinam) tem em traduzir a aplicação dos conceitos a situações reais. E quando isto acontece se torna muito fácil e conveniente rotular como “teórico demais” algo que pode ser extremamente útil se bem compreendido e aplicado.
- “Onde invisto?” Quando analisamos a pesquisa de orçamento familiar do IBGE vemos que o nível de poupança da população brasileira é baixíssimo, mesmo nas faixas de renda mais altas. Ou seja, é provável que o número de pessoas realmente em condição de aproveitar bem a discussão sobre investimento seja pequeno. Para a maioria, dar um passo atrás e trabalhar melhor seu alicerce financeiro seria uma melhor estratégia.
Pensando nisto e aproveitando meu background em economia, no mercado financeiro, em gerenciamento de riscos e em coaching, acabei desenhando um treinamento em Educação Financeira que tem como objetivo gerar uma mudança de comportamento em direção a uma atitude mais saudável com o dinheiro. As implementações presenciais do treinamento foram muitíssimo bem recebidas, mas como gostaria de viabilizá-lo para o maior número possível de pessoas, desenvolvi uma versão online do treinamento presencial.
Para mim é importante ter certeza da eficácia deste método; por isto estou mantendo o treinamento aberto para quem tiver interesse, por um curto espaço de tempo. Se quiser experimentá-lo, é só se cadastrar no Learnhub e fazer a inscrição no curso (o site é em inglês, mas a navegação é simples). A única coisa que peço é que deixe sua avaliação sobre a eficácia do curso, de preferência no próprio Learnhub.
Este vídeo de 2,5 minutos traz mais informações sobre a proposta do treinamento.
Esta frase é de Mark McCormack e está em “O que não se ensina em Harvard Business School”. Vejamos como ele continua:
Se você está entediado a culpa é sua. Simplesmente não está se esforçando para tornar seu trabalho mais interessante. Pode ser também por isso que não lhe foi ofertado nada melhor. Descubra o que você realmente gosta de fazer e será bem-sucedido nisto.
Colocando de lado o componente de provocação (que, aliás, faz parte de um processo de Coaching em certos momentos) presente na frase, ela contém dois pontos de reflexão interessantes.
Primeiro, de que muitas vezes o que vivenciamos é resultado direto das nossas decisões e ações. Para chegarmos a um resultado diferente precisamos mudar a forma como abordamos a situação e agir de modo diferente. Isto está totalmente alinhado com a mensagem principal de Kevin and Jackie Freiberg, discutida no post Somos o resultado das nossas decisões.
Segundo, a coerência com várias das principais conclusões da Psicologia Positiva, também discutida em outros posts. É muito mais provável que você consiga fazer uma contribuição extraordinária (e receber a recompensa associada a algo tão especial) se você estiver inserido em algo que realmente é importante para você, algo de que realmente goste. Este é um componente-chave para uma contribuição extraordinária, e é fundamental mantermos isto em mente.
E o que isto significa para nós? Questione sua forma de agir: suas ações o levam em direção a um objetivo ou apenas o fazem gastar sua energia (reclamando, lutando contra algo ou apenas dispersando seus esforços…)? O que você faz realmente é importante para você? O que você faz realmente é importante para os demais?
E não deixe de consultar seu Coach para ter todo o apoio necessário nesta reflexão tão importante para você e sua carreira.
A economia comportamental tem feito descobertas muito úteis para entendermos como nos relacionamos com o dinheiro; também são interessantes, pois normalmente são feitas através de experimentos com voluntários.
Numa destas experiências pesquisadores descobriram que o simples ato de contar dinheiro pode trazer benefícios psicológicos valiosos (Why Counting Money Can Make You Happier, Time Magazine). O que eles descobriram é que contar dinheiro parece ter o efeito de reduzir a sensação de dores físicas e emocionais, bem como o de aumentar o sentimento de auto-confiança e força interior. Por outro lado, lembrar de gastos recentes pode despertar sentimentos de aborrecimento e sofrimento físico e psicológico. Talvez ainda mais curioso, tanto o sentimento de rejeição quanto a perspectiva de desconforto físico aumentaram o desejo por dinheiro dos participantes, além de tê-los tornado menos generosos.
O que isto representa para nós? Primeiro, precisamos reconhecer que o dinheiro tem um aspecto simbólico forte que não pode ser ignorado, pois ele efetivamente influencia nosso estado emocional. Segundo, não podemos nos ater ao lado racional ao pensarmos em nossas finanças pessoais; devemos conhecer e pensar neste nosso lado meio irracional, pois isto aumentará nossa capacidade de alcançarmos nosso objetivos, sem cair em armadilhas muito comuns.
Se você quiser se aprofundar no assunto, recomendo a leitura de Previsivelmente irracional, um livro que combina uma leitura agradável com informações úteis e relevantes sobre a forma como nos relacionamos com o dinheiro.