Dívidas e casamento
Outro tópico do tema Finanças pessoais em família é a relação entre dívidas, casamento e divórcio. O Centro para o Casamento e Família da Universidade Creighton descobriu que a existência de dívidas é uma das principais causas da falta de harmonia familiar, especialmente nos primeiros anos do casamento. O acúmulo de dívidas pode minar as bases do casamento e criar o tipo de discórdia capaz de dissolvê-lo.
A chave para evitar isto é tratar o assunto abertamente; esqueça aquela história da esposa (ou marido) esconder a fatura do cartão de crédito de seu parceiro(a). É fundamental não ignorar a dívida; ela irá crescer continuamente se não for sendo amortizada, até se tornar tão grande a ponto do casal não enxergar como pagá-la.
Comecem discutindo qual será sua “filosofia” em relação a dívidas. Vão pagar tudo à vista? Em quais compras aceitariam uma dívida? Qual seria um limite confortável para ambos? Qual seria o tempo máximo para acabar de pagar a dívida? Quantos cartões de crédito terão e qual o limite deles? Farão sempre o pagamento integral ou poderão “rolar” parte da fatura? Se sim, quanto? Sua poupança será intocável ou poderá ser usada em emergências? O que é uma emergência (afinal, como você concordarão em usar a poupança se não discutiram isto antes?) Depois de definir isto, pratique! Não irá adiantar nada este trabalho se ignorarem o combinado na primeira tentação.
Muitos casais já começam uma vida juntos com algumas dívidas, seja da festa de casamento e lua-de-mel, da compra dos móveis e/ou da casa própria, etc. Discutam como vocês pagarão todas estas dívidas: será uma responsabilidade conjunta, cada um ficará responsável por dívidas diferentes, quanto cada um irá separar para isto, etc. Também vale discutir se a prioridade será eliminar as dívidas ou se é aceitável levar um pouco mais de tempo para pagá-las para formar uma reserva financeira para emergências ou outro objetivo.
Entendam que há boas e más dívidas. Dívidas boas são aquelas que o ajudam a melhorar sua vida de modo permanente: financiamento de uma casa adequada às suas necessidades e bolso, um financiamento estudantil que permitirá buscar melhores empregos, etc. Dívidas más são aquelas que criam a ilusão de melhorar sua vida, porque estão relacionadas a um estilo de vida mais caro do que o que você pode manter ou para financiar bens de consumo cujo valor se depreciará rapidamente. É muito fácil cair nesta armadilha; normalmente o crédito está ali, ao alcance das mãos, e você terá uma sensação instantânea de satisfação e alegria ao gastar o dinheiro emprestado em algo feito para criar este tipo de sensação.
Seja proativo e discuta com seu parceiro(a) como resolver este assunto; lembre-se que a decisão está nas suas mãos. E não esqueçam que contrair dívidas deve servir para ajudá-los a construir uma vida mais feliz juntos, não manter um estilo de vida superior àquele adequado às suas finanças.
Se quer ler mais sobre o assunto, veja esta matéria do WSJ (With This Debt, I Thee Wed) ou o livro Financially Ever After: The Couples’ Guide to Managing Money.